estamos fodidos
apareceu poraqui naquele estilo dele, menino e puto; depois de uns minutos perdidos entre palavras, ele pulou em cima de mim, mordendo meus lábios; gritei, ó nilo, esse rio é meu e seu, vamos ficar ao léu, entre o céu e o mar, meu nome, ariano! fomos então, mar e rio, léo e ária; cuspimos nos sagrados átrios, nossas mãos empapuçadas de cuspo, meu dedo no seu ânus, minha boca no seu peito, seu pênis na minha coxa, seu esperma na minha boca, seu olho revirado, agônico, preso entre unhas, minha espádua cravada pelos seus dentes! o rio me leva sem eu poder dizer um destino, o céu me obriga a todos os desatinos; mar e léu, nilo, arianos, brancos, alvos, álgidos; vou gozar no seu cu, vc diz: goza, quero ficar molhado por dentro no melhor do meu macio e ser um, muco e mucosa, buraco e sêmen, grito sem rota, espasmo sem dor, vida sem volta. léu, perdido, criança; mar, vasto e antigo: nós dois! unidos, separados, como destinos separados que se olham de esguelha; como dias entregues ao delírio da poesia, nilo, o rio, como o mar, ariano, eu, léo, você, mar... tudo desunido, e engrenado, dentro, fora, esporro, gemido, e aquele sorriso doentio de louco que vc deu depois do orgasmo que me deixou a ver navios no céu, eu, ao léu, perdido, náufrago, criando loas pros seus ouvidos, fazendo canções dos nossos pruridos, gozando o nada no seu umbigo, o tudo do seu umbigo, o silêncio no seu ouvido, o zumbido do gozo vivido... mar/nilo, léo ariano, e ainda tão pouco foi dito, o desdito a cada encontro, zerado, o encontro sempre recomeçado, reencontro de mar e léo, de céu e mar, de nilo e eu.