modernidades


02/09/2011


setembro! acho que foi o cummings. que tem um poema sobre setembros. mas o que queria dizer, bem, o que quero dizer é que te amo, e está tudo bem não ter você do lado e você ter escolhido outro namorado. "someone like you" adele canta. estou pouco preocupado com. com que mesmo? nada, está tudo bem e eu não precisei pegar uma aeronave pra sair pro ar. ouso dizer que este momento está mais melhor. os homens continuam com seus negócios sem muitas diferenças na qualidade dos laços. não vou ficar aqui neste espaço falando pra ninguém.

Escrito por josemarianoneto às 19h24
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20/01/2011


o ano novo chegou, está aí: todo mundo sabe que é uma grande mentira afirmar tamanha novidade - ela só está no número, porque o passado a atravessa! os mesmos preconceitos, até mesmo mais acirrados; as iguais mesquinharias cotidianas; talvez, por culpa, queiramos ser melhores e não por convicção mesmo de se obedecer a um projeto existencial de adoção de atitudes mais corretas.

sem moralismo: não tenho uma solução pro mundo, não acredito num conserto da porcaria que aí está! dizem que vivemos melhores e mais, a ciência e a tecnologia garantem uma maior sobrevida no planeta e a qualidade de vida em quase todo canto.

quando aparece no noticiário aqueles caras e aquelas em variadas situações de desamparo e desespero; ou aqueles e aqueloutras se dando bem... não vai por água abaixo tudo o que se pensa sobre valores como justiça e generosidade?

as diatribes sobre isso e aquilo, sobre o bem e o mal, ficaram vazias diante da falta de esperança de um mundo melhor! não caminhamos em direção ao alargamento das consciências e de posturas mais humanistas; o que vemos é desagregação e arruinamento da existência.

tais ocorrências não podem nos tornar mais otimistas!

Escrito por josemarianoneto às 07h23
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29/10/2010


o candidato sorri para a câmera: mais canastrão, impossível! temos de aguentar a farsa, já que o voto não é livre, ele é exercido sob o signo da coerção! as discussões desviam-se dos temas que deveriam ser centrais, como, por exemplo, a distribuição de oportunidades, já que parece impossível criá-las.

 

cansa! entedia! entra até o papa, com suas bulas burlescas e retrógadas. quem sabe, num futuro, não deveríamos também escolher o idiota que vai governar o vaticano, antes que alguém resolva implodir aquele circo?

a experiência individual é a de que minha cidadania sempre foi aviltada; não elegi a canalhada, nem a pizza.

 

era preferível ficar de papo pro ar, imaginando figuras estrambóticas no céu, formadas pelas nuvens...

 

uma alternativa é cuspir na urna, mas é um ato tão infantil, sem consequência, que o melhor seria pedi ao mesário pra que mostrasse como anula um voto!

 

porque é um espetáculo pobre, uma festa chinfrim e não tem nada de celebração democrática! uma mentira, é o que é! e você, obrigado a participar dela! é um circo de horrores da mais tenebrosa idade...

 

ufa, fico contando os minutos pra me desvencilhar da risível espetacularização da cidadania, uma cidadania que não quero assim, desse jeito, porque ela inclui pelo assujeitamento à mediocridade e ao monstruoso!

 

será que só eu tenho vergonha deles?

 

 

Escrito por josemarianoneto às 20h50
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21/10/2010


os caras estão tão preocupados em dizer coisas pra criar espetáculo! imaginam quanto o silêncio é insuportável?

Escrito por josemarianoneto às 00h26
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21/09/2010


eu? não tenho nada de moderno, só de moderninho (aquele lance pra dar pinta e impressionar, pra me falsear na presença de uma plateia...); no fundo, lá nos abcessos escuros e tenebrosos, em clima de pesadelo e tempestade em alto mar - como em um filme do capitão gancho -, eu sou mesmo é muito exdrúxulo, um pouco dark, desajeitado e fora do lugar, sempre! se faço biquinho é só porque me convenci que é assim que todo mundo faz quando está reunido... aprendi, viciei-me em trejeitos e quetais convencionados, mas, eu dizia, em algum lugar de mim indefinível, talvez nem tanto abismal, quem sabe até à flor da pele mesmo, visivel e desavergonhadamente exposto, eu, eu, eu seja uma pessoa comum demais que pode muito bem passar despercebida, embora eu queira sempre aparecer! sei não, viu? se é isso realmente: a modéstia é um modo de enganar os outros e eu acabei me especializando na artimanha de me negar, quando eu quero, de verdade, é me afirmar que sou, que sou alguém singular, que tem pavor de vulgaridade e de pobreza espiritual! porque não adianta conta bancária nem hercovitch se você se sente e é um pobre diabo; que toda a cosmetologia planetária vale nada se sua cara não transcendeu sua natureza de cão ou de porco que impregna sua alma; não, não adianta forçar a barra, porque você pode continuar subestimando a você mesmo, é um direito seu e você só está cumprindo com seu script de zé-povinho; outra coisa é você imaginar que todo o mundo é burro e que não vê suas bandeiras e seu jeito vacilão... então, se toca, porque viver repetindo mancada é falta de ter encontrado um estilo pessoal e próprio, a não ser que você prefira e tenha escolhido assim, ser só digno de riso!

Escrito por josemarianoneto às 10h04
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29/05/2010


morremos! esta realidade é irremediável, sem que nos valha a poesia que tanto nos salvara da mesquinhez enquanto sonhávamos que era possível uma crença, uma entrega! agarramo-nos a pobres realidades, pensando que são valiosas demais; algumas nem tão pobres, algumas mesmo ricas em lava de vulcão, capazes de criar crostas sobre a terra já existida sem ter precisado de um toque nosso, riqueza selvagem com uma tendência a protestar contra o instituído até pela natureza, essa força que admiramos, da qual tememos sua ira e ao mesmo tempo imitamos desajeitadamente perdendo muito pra a iguana que se metamorfoseia em mundo.

 

é um porre escrever! a vida está antes da palavra e nunca pediu civilização!

 

 

Escrito por josemarianoneto às 20h00
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03/05/2010


tem gente compulsiva pra escrever! vês? passei um mês entre um pé e outro. fiquei uns dias de cama, e ninguém veio preparar o chá e, incrivelmente sem mágoa, não cobrei de ninguém nada, só ovacionei quieto comigo mesmo a passagem pelo pesadelo no barco do barqueiro que me pediu pra não olhar pra trás. teve uma lua cheia (o período) com muitos fluidos bons, a mesa frugal, mas farta, o riso largo de quem apareceu, o acanhamento de um amigo mais tímido, enfim!

abril lembrou um poema de cummings, ou melhor, vários! o do homem que não tinha renda, o das serpentes que pagam para ser elas mesmas...

solitudes.

passeios pela praia incendiada, lixo pela areia, águas brilhantes, o horizonte chamando...

caio na minha cola despertou pedindo mais notícias boas do rapaz que tirava borboletas da cabeça que o namorado teimava em colocar.

brincadeira, o mundo continua girando, e um homem resolve dar notícias da terra.

Escrito por josemarianoneto às 22h57
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28/03/2010


passei o fds* comendo palavra, engolindo meio a seco umas, entre uma e outra folha de alface, palatáveis sob cerveja, os olhos querendo entender o que não entra na cabeça. crítica literária, extensão fílmica, inputs, eu meio puto querendo sentar na boneca, a leitura líquida feito esperna escorrendo do ânus, nós 2 on e off, caminhos de conexão criados pela comunidade de buracos negros, mudos e estelares, que só a astronomia saberia falar com propriedade. seu texto, cinético, meus dramalhões e-pistolares chorando lágrima de novela, você pra lá de crowdsourcing pelo meu oco, eu fanficcionalizando meu desejo de seu link. vínculo significativo com a experiência orgânica, domínio total de conhecimentos limitados dos corpos, seu suor e minha saliva desenhados pelo compartilhamento. várias formas rodadas na mesma máquina, infinitas vezes, sem que nenhum dos dois seja capaz de parar.

 

* weekend, baby!

Escrito por josemarianoneto às 23h05
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30/12/2009


comecei a ler uma biografia de clarice que, nem precisa de sobrenome... quando a gente se espelha numa pessoa é porque a gente tem muito dela! o ano, coincidentemente com o começo de alguma empreitada, está terminando, pelo menos o amontoado de datas sobrepostas umas às outras, os fatos e detalhes que lispector odiava, os as minúcias e os acontecimento que constituem o delírio que é a minha existência; calma aí, qualifico assim a vida em razão do descontrole que impregna os eventos durante o percurso de viver e expirar.

 

aos 51 anos estou muito mais jovem do que quando tinha 20: um frescor derivado da conquista ao invés de ficar à mercê

 

o balanço - clarice é tão grande quanto a palavra,  tão pequena tb do mesmo modo que a palavra amesquinha; ela buscava uma salvação, segundo o relator de sua história; quem de nós não faz o mesmo? há uma aridez no viver, uma sensação de peso e acidez e crueldade que atrapalha um bocado os sonhos e consegue até comprometê-los, tornando-nos covardes

 

não sei, mas é desse modo que em muitos momentos só consigo ver g. h.

 

semana passada, na praia do bessa, perto do iate clube, na areia redesenhei o hexagrama verdade interior do i ching numa tentativa de mostrar a tatuagem que pretendo fazer num dos braços, o que merece um brinde

 

foi bacana, vai ser muito mais se depender de mim, é meu compromisso!

 

com relação a tudo e a todos!

 

ou melhor, uma vírgula!

 

 

30.12.2009

 

 

 

 

 

Escrito por josemarianoneto às 19h30
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09/03/2009


estamos fodidos

apareceu poraqui naquele estilo dele, menino e puto; depois de uns minutos perdidos entre palavras, ele pulou em cima de mim, mordendo meus lábios; gritei, ó nilo, esse rio é meu e seu, vamos ficar ao léu, entre o céu e o mar, meu nome, ariano! fomos então, mar e rio, léo e ária; cuspimos nos sagrados átrios, nossas mãos empapuçadas de cuspo, meu dedo no seu ânus, minha boca no seu peito, seu pênis na minha coxa, seu esperma na minha boca, seu olho revirado, agônico, preso entre unhas, minha espádua cravada pelos seus dentes! o rio me leva sem eu poder dizer um destino, o céu me obriga a todos os desatinos; mar e léu, nilo, arianos, brancos, alvos, álgidos; vou gozar no seu cu, vc diz: goza, quero ficar molhado por dentro no melhor do meu macio e ser um, muco e mucosa, buraco e sêmen, grito sem rota, espasmo sem dor, vida sem volta. léu, perdido, criança; mar, vasto e antigo: nós dois! unidos, separados, como destinos separados que se olham de esguelha; como dias entregues ao delírio da poesia, nilo, o rio, como o mar, ariano, eu, léo, você, mar... tudo desunido, e engrenado, dentro, fora, esporro, gemido, e aquele sorriso doentio de louco que vc deu depois do orgasmo que me deixou a ver navios no céu, eu, ao léu, perdido, náufrago, criando loas pros seus ouvidos, fazendo canções dos nossos pruridos, gozando o nada no seu umbigo, o tudo do seu umbigo, o silêncio no seu ouvido, o zumbido do gozo vivido... mar/nilo, léo ariano, e ainda tão pouco foi dito, o desdito a cada encontro, zerado, o encontro sempre recomeçado, reencontro de mar e léo, de céu e mar, de nilo e eu.

Escrito por josemarianoneto às 15h49
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20/12/2008


foi um ano de cão! foi, sim! evidentemente, o cão também é o melhor amigo do homem, então, o ano contribuiu para que os reveses fossem tomados como grandes oportunidades de reflexão e crescimento! essas coisas não se mensuram, de tão sutis que são! atropelei umas poucas pessoas e fui atropelado por umas poucas igualmente... mas não se tratou de quitação de contas. talvez, ao modo de um bumerangue, o que fiz voltou pra mim, colhi o fruto que plantei. prefiro acreditar que acabei fazendo más escolhas, escolhas impensadas, movidas apenas pela paixão do momento. uma verdade sobre mim é que eu vivo cheio de tesão: e lidar com esse apelo é quase um jogo suicida, quando não se corre risco de morte! foi um ano difícil pra caralho: perdas, desilusões, desencontros. assim: a gente nunca acha muito natural mudar de pele como fazem alguns seres do reino animal. também mudamos de pele, é o que se sabe, diz-se... quer saber se me arrependo? sim, de um fato ou outro muito ruim e lamentável, de uma pessoa ou outra sem caráter e bondade! só que falando dessa forma vão achar que o meu ano não passou de um grande desastre - não chegou a tanto! porém, houve! e uma das piores sensações experimentadas neste ano foi aquela que me deixou enormemente acuado, sem sítio próprio; a coisa foi de uma insegurança tamanha que nem mesmo na minha casa eu supunha encontrar repouso e guarida. mas, como tudo que passa, o ano está terminando, e o que aconteceu de ruim, espero, vá pra o lixo junto com a sujeira do ano inteiro. ficamos mais maduros com a dor. acho que é isso que aconteceu, ainda não dá pra fazer uma avaliação muito exata de tudo...

Escrito por josemarianoneto às 18h25
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27/07/2008


moramos num mundo muito pequeno. a certeza da pequenez vem do fato de que uma cidade como, por exemplo, são joão do rio do peixe, na paraíba, pode ser cosmopolita, quanto a maior metrópole brasileira. certamente, vivendo lá em são joão, sabemos que é não bem assim. não se pode escapar ao olhar curioso da vida sexual de alguém em comparação à indiferença sobre muitos comportamentos humanos em são paulo. mas, ainda desse modo, a grandeza de tudo se rarefez. mesmo que o carinha tenha de ir à cajazeiras pra foder com o amigo, longe da vista dos pais e dos vizinhos, são joão do rio do peixe globalizou-se. lá, não esporadicamente, pode-se bater de frente com alguns dos pensamentos mais desviantes que, impregnados da sede de parecerem modernos, perderam, como seria comum, uma moralidade na prática. deixa eu explicar direito como é isso: esse mesmo rapaz que precisa viver sua sexualidade fora do cercado da sua casa, viaja pra metrópole com sonhos na mochila e, chegando lá, percebe que não é nada parecido com o que pensava - o que vê é desilusão em meio aos jorros de esperma. volta pra são joão e toma consciência que o mundo não é diferente em lugar nenhum, considerando a geografia, o clima, os hábitos etc. acho que o que se quer dizer com esta história é que o rapaz que sonhava talvez sonhe menos hoje com aquele ímpeto de mudança instantânea. é a isso que chamam de iniciação ou educação sentimental. por que será que está se tornando complicado demais ser feliz com simplicidade?

Escrito por josemarianoneto às 09h32
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26/07/2008


estive em são paulo recentemente. a impressão? podia ser o quintal da minha casa! algumas coisas me espantam, lugares também. pessoas, idem. associei tudo ao melhor que há: um hercovich, por favor, com algumas pedras de gelo. é que o ofício de escrever pede um ato total de nudez em meio aos olhares mais mordazes, e você é obrigado a desafiar a ameaça externa. pôr em papel algo imaginário ou derivado do real (o que dá quase no mesmo) é... isto sim: escrever é um adjetivo e atribuir qualidades é uma tarefa desigual. pode-se percorrer o mundo todo com essa sensação de nunca sair do que se conhece com a palma da mão. então, foi assim. sempre a relação de troca. sairemos os dois ganhando, embora não se trata de contabilidade; o ganho, de outra ordem. também exige uma certa afinidade, como a de abrir os olhos, e esfregá-los atonitamente com a visão com que se depara, o ignoto. escrever, era do vínhamos falando. o pior de tudo é que nunca escrevo imaginando um leitor, a não ser, como agora, a gente sabe que o texto pode cair sob a graça de alguém. cair é possível vindo de baixo? expressões como essa inquietam, a língua é o aparelho sem o qual o escritor não pode andar. ai, outro hercovich! faz o favor de deixar logo por aqui, aí nem preciso pedir quando acabar esse.

Escrito por josemarianoneto às 14h08
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21/07/2008


como poderei começar o relato do hoje? falando de mim, é uma possibilidade, mas não a única. a poesia não é uma forma de salvação, mas também não é uma danação como dizem. nos querem deuses porque percebem que os deuses vivem desnudos. até encontrarem a palavra.

Escrito por josemarianoneto às 21h51
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11/07/2008


sexta-feira é dia exú!

deve haver em alguma rua de uma grande cidade um cruzamento, e ali um homem olhando o céu que só apresenta um restinho de azul

a hipótese é: o azul se tornará raro; o homem, fóssil; a rua, silêncio, inexistência; da cidade, quem sabe?

dirão que o melhor a fazer será aproveitar o dia, mas têm dito isso durante tanto tempo, que ninguém chega a explicar o que seja ter explorado o último volume do prazer

exú também é, admitamos, a cor vermelha

e o vermelho, por tradição, associa-se à paixão, a sangue

sem sangue não há tragédia

sem tragédia temos tão pouca noção do que vem a ser a vida

sem vida, não temos mais o que buscar

sem buscar, é melhor esperar que a tarde caia, porque...

à idéia de nada é bom assemelhar deserto, solidão, estrela

Escrito por josemarianoneto às 12h34
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